Por que não há eclipses todo mês? Entenda o jeitão torto da Lua que 'estraga' esse alinhamento

  • 13/05/2026
(Foto: Reprodução)
O que é um eclipse? A Lua dos tão falados astronautas da Artemis II dá uma volta na Terra a cada 29 dias. 🌑 Em algum momento dessa volta, essa mesma lua passa entre nós e o Sol — é a Lua nova. 🌕 Em outro, fica do lado oposto, com a Terra no meio do caminho — é a Lua cheia. Nas duas situações, os três astros estão praticamente enfileirados. E quando três bolas se enfileiram, uma faz sombra na outra: na Lua nova, a Lua poderia tapar o Sol (eclipse solar); na Lua cheia, a Terra poderia tapar a Lua (eclipse lunar). ➡️ Então por que isso não acontece todo santo mês? A pergunta abre um artigo publicado nesta última terça-feira (12) pelo Science Media Centre España, assinado por sete pesquisadoras e pesquisadores da Universidade de Alicante, na Espanha. O grupo estuda há anos por que a maioria das pessoas comete erros ao explicar o céu — e descobriu que os mesmos enganos aparecem em adultos e crianças, em quem nunca estudou astronomia e em quem estudou. Segundo o Observatório Nacional (ON), a Lua mergulhará totalmente na penumbra, mas apenas 6% de sua superfície será coberta pela umbra, resultando em uma pequena porção do satélite que ficará "mordida". NASA 📐Um dos erros mais comuns é imaginar que a Lua gira perfeitamente alinhada à Terra e ao Sol. Mas não é assim: a órbita lunar é inclinada. O nosso satélite natural não orbita a Terra no mesmo plano em que a Terra orbita o Sol. Existe uma inclinação de cerca de 5 graus entre os dois planos. Parece pouco, mas não é. Assim, a maioria das vezes, a sombra dela passa alto demais ou baixo demais em relação à Terra. Aí, só quando a inclinação cai no ponto certo é que um eclipse acontece. Por causa dessa inclinação, a Lua quase sempre passa alta ou baixa demais em relação ao alinhamento perfeito — e o eclipse, seja solar ou lunar, não acontece: ⬆️ Alta demais. A sombra erra o alvo por cima. Sem eclipse. ⬇️ Baixa demais. A sombra erra o alvo por baixo. Sem eclipse. 🎯 Na altura certa. A sombra atinge o alvo. Eclipse acontece. Veja só nos GIFs abaixo: Por que não temos um eclipse todo mês? Nasa/Reprodução 📝 ENTENDA: Na maioria das Luas novas, a sombra erra a Terra — passa rente, mas erra. Um eclipse só acontece nas raras vezes em que a Lua, na fase nova ou cheia, está cruzando o ponto exato em que a sua órbita inclinada se encontra com o plano da órbita da Terra. Esses pontos de cruzamento têm até nome técnico: nodos. Inclinação da Lua só pode ser percebida em modelos 3D como esse. Nasa/Reprodução ➡️ Resumindo: alinhamento mensal existe, mas o alinhamento perfeito depende de uma coincidência geométrica que não acontece todo mês. A 'temporada de eclipses' Outra peça do quebra-cabeça, explica a Nasa, é que essa coincidência só consegue acontecer em dois períodos do ano — janelas de cerca de 40 dias chamadas pelos astrônomos de temporadas de eclipses (eclipse seasons, em inglês). Fora dessas janelas, mesmo a Lua nova mais perfeita do mundo passa alto ou baixo demais. Por isso, em média, o planeta tem entre dois e cinco eclipses solares por ano — somando os totais, anulares, híbridos e parciais. Eclipses totais de fato são ainda mais raros: para uma cidade específica, a média é de um a cada cerca de 375 anos. 🗓️ E a próxima coincidência geométrica desse tipo já tem data marcada: 12 de agosto de 2026. Nesse dia, a sombra da Lua vai atravessar o Ártico, a Groenlândia, a Islândia, o norte da Espanha e uma pequena faixa de Portugal. Será o primeiro eclipse solar total visível na Europa continental desde 1999. No Brasil, porém, o fenômeno não poderá ser visto nem parcialmente. Outras confusões frequentes sobre o céu Além da inclinação esquecida, as pesquisadoras de Alicante identificam três outras confusões frequentes sobre o sistema Sol-Terra-Lua, que costumam passar despercebidas mesmo entre pessoas escolarizadas. Veja a seguir, com a versão correta de cada uma. 1) 🌗 "As fases da Lua acontecem porque a sombra da Terra vai cobrindo ela aos poucos." Não. Isso descreve um eclipse lunar. Fase é outra coisa: é a parte iluminada da Lua que a gente consegue enxergar daqui. A Lua não produz luz própria — ela reflete a luz do Sol. Metade dela está sempre iluminada, mas, conforme a Lua gira ao redor da Terra, a posição entre Sol, Terra e Lua muda. Isso faz com que a gente veja diferentes “pedaços” dessa parte iluminada ao longo do mês. O ciclo completo dura cerca de 29,5 dias e passa por oito fases principais: Lua nova, crescente, quarto crescente, gibosa crescente, cheia, gibosa minguante, quarto minguante e minguante. Na Lua nova, a parte iluminada fica voltada para o lado oposto da Terra e ela praticamente “some” do céu. Já na Lua cheia, vemos quase toda a face iluminada. Depois disso, a parte visível vai diminuindo até voltar à Lua nova e reiniciar o ciclo. No inverno, as fases de Lua nova e minguante são as mais indicadas para a astrofotografia Equipe “Star Hunters” 2) ☀️ "Eclipse solar é na Lua cheia." Também não. Eclipse solar só acontece na Lua nova — quando ela está entre a gente e o Sol. Nessa posição, a Lua projeta uma sombra sobre a Terra e pode bloquear totalmente ou parcialmente a luz solar em algumas regiões. Quando o Sol fica completamente encoberto, ocorre um eclipse total; quando apenas parte dele é coberta, o eclipse é parcial. Como a sombra da Lua é relativamente estreita, o fenômeno só pode ser visto em áreas específicas do planeta e costuma durar poucos minutos. 3) 🌍 "No eclipse solar, é a Terra que cobre o Sol." Não. Quem passa na frente do Sol é a Lua. Mesmo sendo muito menor, ela está perto o suficiente da Terra para conseguir bloquear a luz solar em algumas regiões do planeta. Quando esse alinhamento acontece, a Lua projeta uma sombra sobre a Terra e o céu pode escurecer temporariamente durante o dia. Registro do eclipse solar parcial em Campinas (SP) Tribeiro Fotografia/Arquivo pessoal A primeira confusão é a campeã. Segundo as pesquisadoras, ela aparece quando alguém tenta entender o céu sem ter na cabeça um modelo em três dimensões dos três corpos. É o tipo de explicação que parece fazer sentido — até alguém perguntar como pode a Terra projetar uma sombra crescente e minguante toda noite, em fases certinhas, mês após mês. O mais curioso é o que o estudo aponta a seguir: criança pequena, antes de qualquer aula, não pensa assim. A ideia errada é construída ao longo do tempo — pela cultura, pelas conversas em casa e até mesmo pelos próprios livros da escola. Para o grupo de Alicante, três pegadinhas fazem esse conteúdo escapar mesmo de quem já estudou. 📄 A armadilha do papel: Os livros desenham o Sol, a Terra e a Lua em um único plano, lado a lado. Com isso, o cérebro fica com a impressão de que a sombra da Terra é gorda e que a Lua entra nela toda hora. Na vida real, a sombra é um cone fininho e comprido — a Lua quase nunca a encontra. 👁️ A troca de ponto de vista: Entender o céu exige alternar entre o que se vê daqui de baixo, olhando para cima, e o que veria um observador no espaço, olhando tudo de fora. A escola pula de um ponto de vista para o outro sem avisar, segundo os pesquisadores. 📐 Os cinco graus esquecidos: O fato da órbita da Lua não estar no mesmo plano da órbita da Terra, ter a inclinação de cerca de 5°. "Ao omitir de forma sistemática que a órbita lunar está inclinada cerca de 5° em relação à da Terra, estamos nos privando da peça-chave que resolve o conflito", afirmam os autores do estudo. Os tipos de eclipse Um eclipse solar ocorre quando a Lua se posiciona entre o Sol e a Terra de uma maneira que ela acaba lançando uma sombra sobre a Terra. A Lua então bloqueia a entrada de luz solar que chega à Terra. Às vezes, a Lua bloqueia apenas parte da luz do Sol, no chamado eclipse solar parcial ou anular. Já quando a Lua bloqueia toda a luz do Sol, temos um eclipse solar total. Veja a diferença nas fotos a seguir: Eclipse solar anular: O eclipse solar anular surge por trás das nuvens no sábado, 14 de outubro de 2023, em Tigard, Oregon. Jenny Kane/AP Eclipse solar parcial: O eclipse solar parcial desta segunda (25) visto da cidade inglesa de North Shields, ao norte do país. Owen Humphreys/PA via AP Eclipse solar total: O eclipse solar total de 2024 visto no México. Fernando Llano/AP Photo Assim, como é possível ver nas imagens acima, em um eclipse solar total, a Terra, a Lua e o Sol se alinham de tal forma e em uma posição tão exata que toda a estrela do nosso sistema é "tampada" da perspectiva da Terra – é possível ver apenas a coroa, a atmosfera do Sol. No eclipse solar anular, a Lua também se alinha entre a Terra e o Sol, bloqueando a maior parte da luz do astro. E no caso do eclipse solar parcial, não há esse alinhamento entre os três corpos celestes. Ele ocorre quando a Lua passa entre o Sol e a Terra, mas o Sol, a Lua e a Terra não estão perfeitamente alinhados. Já durante um eclipse lunar, é a sombra da Terra que obscurece a Lua. E essa sombra tem dois tipos: a umbra e a penumbra. Veja a imagem abaixo: Diagrama mostra a diferença da umbra e da penumbra. NASA A umbra é a sombra escura que não recebe nenhuma luminosidade do Sol. Já a penumbra é a sombra clara que ainda recebe luminosidade do Sol. Quando a Lua entra na penumbra, temos o eclipse lunar penumbral e quando ela vai entrando na umbra temos o parcial. Já o total acontece quando ela está totalmente mergulhada na umbra. Eclipses de 2026 ☀️ 17 de fevereiro - Eclipse solar parcial (não visível no Brasil) 🌗 3 de março - Eclipse lunar total (visível em alguns estados do Brasil) ☀️ 12 de agosto - Eclipse solar total (não visível no Brasil) 🌗 27-28 de agosto - Eclipse lunar parcial (visível em todo o país) Em 2026, teremos dois eclipses solares. O primeiro deles, já em fevereiro, foi parcial, isto é, quando a Lua bloqueia apenas uma parte da luz do Sol. Já o eclipse solar de agosto será total, ou seja, nesta data, a Lua vai bloquear toda a luz do Sol. Atenção: um eclipse solar só pode ser observado com um filtro especial ou olhando para o reflexo do Sol. Ambos NÃO serão visíveis no Brasil. No de 17 de fevereiro, apenas regiões remotas da Antártida e do sul do Oceano Índico conseguiram observar o fenômeno. Em áreas no sul da África e sul da América do Sul, a visão foi parcial. Já o eclipse de 12 de agosto poderá ser visto de forma mais ampla. A faixa de totalidade vai acontecer em parte da Europa Ocidental, Groenlândia, Ártico e norte da Rússia. O fenômeno também poderá ser observador de forma parcial em algumas regiões da África e da América do Norte. Reportagem produzida com base no artigo "¿Por qué no hay eclipses todos los meses?", de Asunción Menargues Marcilla, Alexandra Rey Cubero, Alejandra Abellán Llobregat, Carolina Nicolás Castellano, Sergio Rosa Cintas, Isabel Luján Felíu-Pascual, Rubén Limiñana Morcillo e Joaquín Martínez Torregrosa, publicado pelo Science Media Centre España em 12 de maio de 2026 sob licença Creative Commons.

FONTE: https://g1.globo.com/ciencia/noticia/2026/05/13/por-que-nao-ha-eclipses-todo-mes.ghtml


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