Xodó das estradas: adolescente com paralisia cerebral ganha rede de afeto de caminhoneiros em MG
22/03/2026
(Foto: Reprodução) Menino com paralisia cerebral vira xodó de caminhoneiros em Muriaé
O que começou como uma tentativa de espantar o desânimo durante a pandemia transformou as margens da BR-116, em Muriaé, em um cenário de amizade e superação. Adryan Bruno, de 13 anos, que antes vivia o isolamento do período sem terapias, hoje é o 'xodó' dos caminhoneiros que cruzam a rodovia.
A rotina mudou por iniciativa do pai, Adailson de Oliveira Silva. Caminhoneiro, ele percebeu que o filho estava triste com a pausa nas atividades sociais e decidiu levá-lo para ver o movimento na estrada. A ideia inicial era apenas proporcionar um momento ao ar livre.
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Adolescente com paralisia cerebral ganha rede de afeto de caminhoneiros em Muriaé
Elton Moreira/TV Integração
Após a emoção de Adryan ao ouvir as primeiras buzinas e ver os acenos de quem passava, as visitas passaram a ocorrer semanalmente.
“Nós paramos lá, mas não sabíamos desse interesse por caminhão”, conta Adailson.
Camisa personalizada e visitas em casa
O carinho das estradas cresceu rápido e ultrapassou a beira da pista. A história do adolescente se espalhou e, hoje, o grupo de amigos de Adryan tem camisa personalizada, e muitos motoristas fazem questão de visitar a casa da família quando passam pela região.
Para a mãe, Cláudia Regina Bruno da Silva, a rede de apoio representa uma lição de inclusão.
“Passaram amigos e mais amigos, e isso foi crescendo. Hoje há muita gente que apoia sem preconceito. Eles frequentam a casa da família”, celebra.
Muito além da diversão, a família nota reflexos diretos na saúde do jovem. O contato constante com os novos amigos trouxe melhoras visíveis na coordenação motora e na autoconfiança de Adryan. Segundo o pai, o asfalto virou uma extensão essencial do tratamento.
Adolescente com paralisia cerebral ganha rede de afeto de caminhoneiros em Muriaé
Elton Moreira/TV Integração
Diagnóstico e tratamentos
Adryan nasceu prematuro, aos sete meses, e enfrentou complicações graves nos primeiros dias de vida. Durante uma transferência hospitalar de Muriaé para Juiz de Fora, sofreu seis paradas respiratórias. O diagnóstico de paralisia cerebral veio quando tinha um ano e meio.
Desde então, a família mantém uma rotina intensa de cuidados, que inclui fisioterapia, fonoaudiologia, terapia ocupacional e hidroterapia.
Agora, a esse cronograma soma-se o som das buzinas e o carinho de quem faz do volante o escritório, mas que, para o pequeno Adryan, também se traduz em sorrisos.
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Elton Moreira/TV Integração
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