Quermesse X festa junina: saiba quais são as diferenças entre os eventos tradicionais no Brasil

  • 14/06/2026
(Foto: Reprodução)
Quermesse X festa junina: saiba quais são as diferenças entre os eventos tradicionais Quermesse, festa junina, São João… Os termos parecem tratar-se de uma mesma celebração, só com a diferença de meses, mas a verdade é que cada evento tem a sua particularidade. Para entender melhor quais são as diferenças entre os eventos populares nesta época do ano, o g1 conversou com representantes religiosos da Igreja Católica de Presidente Prudente, no interior paulista. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp O padre Éverton Aparecido da Silva, da Paróquia Nossa Senhora Mãe da Igreja de Prudente, afirma que: “A diferença é o nome que aquela região específica oferece ao evento no tempo em que é realizado.” Enquanto as quermesses têm um propósito mais beneficente, as festas juninas celebram a tradição religiosa. Segundo o dicionário Michaelis, quermesse significa "festa paroquial ou feira anual celebrada na Holanda com grandes folguedos." O significado se enquadra como "feira pública com barracas que promovem sorteios, leilão de prendas e brincadeiras, em geral com fins beneficentes". Já a festa junina não aparece no dicionário. Entenda mais sobre a diferença nesta reportagem. Eventos como esses são importantes para a Igreja Católica e para a comunidade, pois edificam a fé no cotidiano da vida, para além da igreja, segundo o padre. “Uma festa junina, uma celebração de São João, é uma oportunidade de tecer laços, celebrar encontros entre a comunidade de modo geral.” “É testemunhar a vida, a alegria do encontro com Deus, daqueles momentos em que se vive a fé… A fé não é só dentro de quatro paredes, ela é como o mandato de Jesus, que vai além, para os relacionamentos, em casa, na família, na sociedade”, continua o padre. LEIA TAMBÉM: Comidas típicas, quadrilhas e quermesses: confira os 'arraiás' do Oeste Paulista Lei que autoriza instalação de espaços de lazer em vagas de veículos passa a valer em Presidente Prudente Forró, pipoca e bandeirinhas: professor brasileiro nos EUA leva tradição da festa junina a crianças americanas Festa Junina do Santuário Nossa Senhora Aparecida, em 2022, na Vila Marcondes, em Presidente Prudente (SP) Pascom Santuário Nossa Senhora Aparecida É quermesse ou festa junina? Já a irmã Penha Barros, da Paróquia Santa Rita, também de Prudente, traz mais detalhes sobre o assunto; a freira esteve à frente do “arraiá” — outro termo que é frequentemente utilizado para fazer referência às festas — de uma creche na cidade. Segundo a irmã Penha, a diferença entre as nomenclaturas é que: 🌽 Quermesse: é uma festa organizada pela comunidade, geralmente ligada à paróquia, com o objetivo de promover a convivência, a alegria e a arrecadação de recursos para as atividades da Igreja e projetos sociais. 🎉 Festas juninas e julinas: são celebrações em homenagem aos santos populares, como Santo Antônio (13 de junho), São João Batista (24 de junho) e São Pedro (29 de junho). 🙏 São João: é a festa celebrada em 24 de junho, especificamente em homenagem a São João Batista, o profeta que preparou o caminho para Jesus Cristo. Para a Igreja Católica, essas festividades são oportunidades de evangelização, integração e fortalecimento dos laços comunitários, conforme a freira. “Por trás de cada festa existe o trabalho dedicado de muitos voluntários que colaboram na organização, preparação dos alimentos, decoração, acolhida e diversas outras atividades.” “Elas reúnem famílias e amigos em momentos de confraternização, valorizando a cultura, a fé e as tradições populares”, afirma. Em particular, a irmã Penha afirma que participar de festas como essas contribui para que a igreja continue com a missão de acolher, evangelizar e servir. “Celebrar festas é um convite para agradecer a Deus o dom da alegria que todos temos, mas que, no mundo tão cheio de complicações relacionais, a alegria está a desejar.” Independentemente do termo utilizado, os eventos tradicionais se tornam uma oportunidade de comunhão, conforme relato da irmã. “É um convite para que todos participem com alegria das festas, resgatando essa importante dádiva do Senhor em nossa vida e em nossa história.” “Participar é se contagiar, se relacionar, é viver com intensidade. É amar e fazer o bem também com palmas, rodopios, sorrisos e gritos, cantigas e muitos quitutes deliciosos. O nosso Deus é o Deus da festa e da alegria”, completa a freira. Já o padre Éverton destaca: “Quando nós participamos de momentos como esses, fortes agora, no mês de junho e julho, nós testemunhamos a alegria do Deus que faz morada em nós e que nos leva a nos encontrarmos com os irmãos e irmãs.” SAIBA MAIS: 'Me ajuda, Santo Antônio'? Devoção ao santo 'casamenteiro' vai além da busca por par romântico; entenda 'Casamenteiro' e caridoso: quem foi Santo Antônio e como surgiu a tradição de pedidos de amor Moradores se divertem em parque de diversões no primeiro dia da Festa Junina de Votorantim Ana Carolina Cirullo/g1 Origem da palavra quermesse Segundo a Paróquia Santíssima Virgem, as quermesses surgiram na Idade Média, na Bélgica e Holanda. A origem da palavra “quermesse” vem da língua flamenga (ou neerlandês/holandês), kerkmisse ou kerkmis (kerk = igreja, messe = feira, missa). Ainda conforme divulgado pela paróquia, os eventos misturavam as tradições pagãs dos festejos das colheitas e do verão com os rituais e celebrações da Igreja Católica, geralmente em honra ao padroeiro ou festa de algum santo, aconteciam ao ar livre e tinham a participação em massa da população. As quermesses se espalharam pelos Países Baixos e demais regiões europeias e chegaram ao Brasil a partir dos colonizadores portugueses, que trouxeram também as devoções a Santo Antônio, São Pedro e São João. A partir disso, fortaleceu as quermesses e Festas Juninas, principalmente na região Nordeste do país, com as festas de São João. Tradicional quadrilha agitou o público na Festa Junina de Votorantim Ana Carolina Cirullo/g1 Festas juninas Os colonizadores portugueses adaptaram as festividades juninas ao contexto brasileiro, incorporando elementos da cultura indígena e africana presentes no país, conforme a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Já a fogueira representa o poder do sol e a celebração da fertilidade, da colheita e do ciclo da vida, em que os pagãos celebravam o solstício de verão. Com a cristianização das festividades pagãs, a fogueira passou a ter um novo significado nos festejos juninos, sendo associada à luz de Cristo e à purificação espiritual. E a música? O forró, baixão, xote e arrasta-pé são os estilos musicais mais comuns para as festas juninas, conforme a UFRB. Esses estilos possuem influências tanto da música portuguesa quanto de elementos musicais indígenas e africanos, criando uma sonoridade única e contagiante. As letras das músicas nos festejos juninos muitas vezes tratam de temas relacionados à vida no campo, ao amor, à festividade e às tradições juninas. As canções costumam ser alegres, animadas e convidam as pessoas a dançar e se divertir, ainda segundo a universidade. Já a dança tem origem no século XIX, durante o período colonial brasileiro, a partir da influência das danças de salão europeias, especialmente a contradança, que foi adaptada ao longo dos anos e deu origem à quadrilha junina. No caso da comida típica, o milho se torna ingrediente principal e tem origem remota aos povos indígenas, que cultivavam e consumiam o grão há milhares de anos antes da chegada dos colonizadores europeus, conforme a universidade. O milho é uma representação dos ciclos da vida, da renovação e da gratidão pela terra e seus frutos. Entre as comidas típicas à base de milho, o bolo, a canjica, a pamonha, o curau, a pipoca e o milho verde são os mais consumidos. Outros alimentos também “entraram na dança” e incorporaram o cardápio junino, como o fubá e amendoim. Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/presidente-prudente-e-regiao/noticia/2026/06/14/quermesse-x-festa-junina-saiba-quais-sao-as-diferencas-entre-os-eventos-tradicionais-no-brasil.ghtml


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