Maioria dos alunos do ensino médio público do DF termina a escola sem saber matemática, aponta estudo da UnB
12/02/2026
(Foto: Reprodução) Pesquisa aponta que muitos estudantes saem do ensino médio sem saber matemática
A maioria dos estudantes da rede pública do Distrito Federal estão concluindo o ensino médio sem saber matemática básica.
É o que aponta o relatório ObservaDF, da Universidade de Brasília (UnB), divulgado nesta semana, com base em dados oficiais de desempenho escolar.
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Segundo o estudo, 62,3% dos alunos do ensino médio público do DF não atingiram o nível básico de proficiência em matemática em 2023. Apenas 3,8% chegaram ao nível considerado adequado ou avançado, de acordo com o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
62,3% dos alunos do ensino médio público do DF não atingem o nível básico de proficiência em matemática.
TV Globo/Reprodução
"Os nossos estudantes que estão concluindo o ensino médio não têm o nível básico de matemática. Não alcançam nem o nível elementar. Então, se você não tem o conhecimento básico em matemática, como pode almejar uma profissão, mesmo nas áreas de humanas? Todos nós precisamos de matemática", disse a coordenadora de pesquisa Ana Maria Nogales à TV Globo.
Apesar disso, a pesquisa mostra que a população avalia positivamente as escolas públicas. Em levantamento com 1.008 moradores de 29 regiões administrativas, as unidades receberam notas entre 3,2 e 4,0, em uma escala de 1 a 5.
Queda conforme o aluno avança
DF ocupa a 8ª posição nacional no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).
TV Globo/Reprodução
O estudo mostra ainda que o Distrito Federal ocupa a 8ª posição nacional no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) nos anos iniciais do ensino fundamental.
Nos anos finais, cai para a 17ª colocação. No ensino médio, vai para a 18ª posição no ranking entre as unidades da federação.
Ou seja, quanto mais o estudante avança na vida escolar, pior é o desempenho médio.
Avaliação da população
Os itens mais bem avaliados pelos moradores foram formação dos professores, acesso às escolas, organização e merenda.
Já os dois pontos pior avaliados foram justamente o desempenho dos alunos em português e matemática e a oferta de reforço escolar.
O relatório também ouviu estudantes do ensino médio. Eles relataram troca constante de professores, uso frequente de videoaulas sem explicação e sensação de despreparo para provas como Enem e PAS.
"Ultimamente os professores têm só jogado conteúdo e eles não ligam muito", relatou um estudante no estudo.
"Ó, pra você ter noção da minha escola, o professor dá aula com videoaula, ele tá lá na sala. Aí ele coloca aula do YouTube pra dar aula pra gente" disse outro.
O meu coloca um vídeo, coloca um vídeo no YouTube e sai da sala e deixa o vídeo lá pra gente assistir. Nem comenta, nem te explica nada".
Metas do PDE longe de serem cumpridas
Maioria dos alunos do ensino médio público do DF termina a escola sem saber matemática
MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL
O estudo faz uma comparação direta com o Relatório de Monitoramento do Plano Distrital de Educação, e mostra que metas importantes continuam distantes, como a oferta de ensino em tempo integral.
Segundo dados da Secretaria de Educação citados no relatório, os alunos da rede pública do DF têm, em média, 5,4 horas-aula por dia no ensino fundamental e 5,2 horas no ensino médio — esse é um dos itens mais bem avaliados pela população na pesquisa de percepção.
No entanto, o Plano Distrital de Educação (PDE) previa que, até 2024, pelo menos 33% dos alunos da educação básica estivessem em tempo integral, em 60% das escolas públicas.
Em 2025, esse índice ficou longe disso. Segundo a própria Secretaria de Educação, a educação em tempo integral atende:
25.305 estudantes do ensino fundamental (9,8% das matrículas);
4.594 do ensino médio (6,1% das matrículas).
Em nota, a Secretaria de Educação informou que o PDE teve vigência até 2025 e que um projeto de lei para prorrogação do plano está em tramitação na Câmara Legislativa. A pasta afirmou ainda que trabalha na elaboração do novo plano, alinhado ao futuro Plano Nacional de Educação.
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