Bebê que morreu com bronquiolite sem vaga em CTI poderia ter sido atendida em enfermaria, diz especialista

  • 18/06/2026
(Foto: Reprodução)
Bebê que morreu sem vaga em CTI poderia ter sido levada para uma enfermaria, diz médico O especialista em saúde pública José Sebastião dos Santos criticou, em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, nesta quinta-feira (18), a forma como foi atendida a bebê de sete meses de Jaboticabal (SP) que morreu com bronquiolite após esperar pela disponibilidade de um leito de Centro de Terapia Intensiva (CTI) na região de Ribeirão Preto. No início de junho, Antonella de Lima Melo ficou quase 24 horas à espera de uma vaga em hospitais públicos com superlotação depois da entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Jaboticabal, que vive uma crise na saúde e decretou estado de calamidade. Segundo o especialista, a criança, que teve piora nos sintomas enquanto permaneceu na UPA, poderia ter sido inicialmente levada a uma enfermaria de um hospital da cidade, onde poderia ter sido estabilizada até que a vaga em CTI de fato fosse disponibilizada. Faça parte do canal do g1 Ribeirão e Franca no WhatsApp "É impossível em Ribeirão e região, com essa porção de recursos que nós temos, de hospitais, de profissionais, de equipamentos, acontecer isso. (...) Isso é inadmissível. É uma falta mesmo de solidariedade entre os serviços de saúde, entre os profissionais, de cooperação. A gente precisa ser um pouco mais colaborativo nessas circunstâncias", disse. Antonella de Lima Melo morreu aos sete meses após ser levada à UPA de Jaboticabal, SP Arquivo pessoal Santos argumentou que a estrutura de uma enfermaria já seria mais adequada para as condições de uma criança em estado grave do que a UPA, e que isso poderia ter sido observado se houvesse menos burocracia e uma melhor cooperação entre os serviços médicos. Segundo documentos obtidos pela reportagem, as movimentações que ocorreram entre o pedido de transferência e a morte da menina foram referentes a recusas dos hospitais por conta da superlotação em terapia intensiva. "A regulação não foi feita para isso. Ela foi feita para avaliar justamente, identificar risco e necessidade, e não dar resposta muito burocrática, administrativa. 'Ah, não tenho o leito de CTI pediátrico'. Ela tem que ver qual é a necessidade da criança. Se a criança está grave, está em uma unidade de pronto atendimento e escalou dessa forma (...) precisa ir para um lugar que tem mais recursos. O lugar que tem mais recursos é o hospital." O médico ponderou que é díficil apontar se a morte teria sido evitada, mas que o caso merece uma melhor apuração das autoridades. "Tem que examinar o que foi feito, as condições locais. Porque, às vezes, você pode ter falhas que são, que nós estamos falando da própria organização. E às vezes a doença também é inexorável. Mesmo fazendo todas as medidas, o desfecho pode ser ruim. Então, é uma análise que precisa ser feita com mais profundidade." LEIA TAMBÉM Veja cronologia da morte de bebê com bronquiolite sem vaga de UTI em Jaboticabal, SP Prefeitura de Jaboticabal decreta calamidade pública diante de alta nos casos graves respiratórios e morte de bebê UPA de Jaboticabal, SP Reprodução/EPTV A despeito da análise do especialista ouvido pela reportagem, o Hospital Santa Isabel, de Jaboticabal, informou que casos graves como o de Antonella não poderiam ser acolhidos pela instituição por questões técnicas previstas em normas internacionais (leia mais abaixo). Morte de bebê em Jaboticabal O atestado de óbito aponta que Antonella morreu no dia 1º de junho com síndrome respiratória aguda grave (SRAG) e bronquiolite. Segundo os documentos, a bebê deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na noite de 31 de maio. Ela foi admitida na Santa Casa de Sertãozinho (SP) cerca de 22 horas depois, por meio da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), ligada à Secretaria de Estadual da Saúde. Mesmo após a transferência, deveria aguardar para ser internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A família afirma que houve falha do estado no atendimento prestado à criança porque os hospitais não tinham vaga para recebê-la. A Secretaria de Saúde de Jaboticabal informou que a vaga foi aprovada, mas que Antonella não pode ser transferida porque o quadro de saúde era instável. Os casos de doenças respiratórias levaram a Prefeitura de decretar estado de calamidade. Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde lamentou a morte da bebê e disse que a paciente foi inserida na regulação estadual no final da noite do dia 31 de maio. A transferência foi autorizada no dia seguinte para a Santa Casa de Sertãozinho. Antonella de Lima Melo, de sete meses, morreu com SRAG e bronquiolite em Jaboticabal, SP Arquivo pessoal Internar sem vaga em UTI é inaceitável, diz hospital de Jaboticabal A despeito das declarações do especialista em saúde pública sobre a possibilidade de transferência para uma enfermaria, o Hospital Santa Isabel, principal centro de referência em saúde de Jaboticabal, informou que o caso de Antonella não poderia ser acolhido. "Internar uma criança em estado grave que necessita de terapia intensiva em um hospital geral, sem dispor de uma Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP), representa um risco assistencial grave e inaceitável. Os equipamentos, leitos e materiais de um hospital geral são comumente dimensionados para o atendimento de adultos, e, no caso do Hospital e Maternidade Santa Isabel, tambem no atendimento de crianças em ambiente de enfermaria ou no momento do parto na maternidade", comunicou, em nota enviada à imprensa. Segundo a instituição, embora a equipe seja qualificada, com médicos e enfermeiros intensivistas, o suporte avançado de vida em pediatria segue diretrizes mundiais rigorosas e distintas. "Em um cenário de terapia intensiva pediátrica, não apenas os recursos terapeuticos medicamentosos apresentam diferenças na aplicação, mas, também, os equipamentos de monitoramento e ventilação devem ser adequados ao tamanho do paciente." Veja mais notícias da região no g1 Ribeirão Preto e Franca VÍDEOS: Tudo sobre Ribeirão Preto, Franca e região

FONTE: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2026/06/18/bebe-que-morreu-com-bronquiolite-sem-vaga-em-cti-poderia-ter-sido-atendida-em-enfermaria-diz-especialista.ghtml


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